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Experiência não é posicionamento: como transformar a sua trajetória em diferencial

Quanto mais experiência você acumula, mais difícil pode ficar explicar o que você faz. O que resolve não é uma lista maior. É uma direção.

Por Jessica Renault15 de outubro de 20267 min de leitura
Mulher sorrindo de braços cruzados em uma sala de reunião, à frente de duas colegas que conversam diante de um notebook

Você tem anos de carreira, resultados para mostrar e um currículo que já não cabe em duas páginas. Ainda assim, quando alguém pergunta "o que você faz?", a resposta sai longa, cheia de cargos e empresas, e termina sem dizer para onde você quer ir.

Essa é uma das confusões mais comuns entre mulheres com trajetória sólida: tratar experiência acumulada como se fosse posicionamento. As duas coisas se completam, mas não são iguais. Neste artigo, você vai entender a diferença, por que mais experiência pode deixar a sua mensagem mais confusa e como transformar a sua trajetória em diferencial, em cinco passos.

A diferença entre experiência e posicionamento

A experiência olha para trás. Ela reúne cargos, empresas, responsabilidades e resultados, e responde à pergunta "o que você já fez?".

O posicionamento olha para a frente. Ele mostra que tipo de problema você resolve, para quem e por que você é a pessoa certa para isso agora. Responde a outra pergunta: "por que você, para isso, agora?".

Currículo

Organiza o passado. Lista cargos e empresas. Responde "o que você já fez?".

Posicionamento

Aponta a próxima fase. Traduz o valor que você entrega. Responde "por que você, para isso, agora?".

Um currículo excelente pode não ter posicionamento nenhum. E é justamente isso que faz muitas profissionais experientes se sentirem invisíveis em uma transição, mesmo com uma trajetória que impressiona.

Por que mais experiência pode deixar a sua mensagem mais confusa

Parece contraditório, mas quanto mais você construiu, maior é o risco de diluir a mensagem. A lista cresce, cada experiência aponta para um lado, e quem lê precisa adivinhar onde você quer chegar.

7,4 s

foi o tempo médio da primeira leitura de um currículo por recrutadores, segundo um estudo de rastreamento ocular feito em 2018.Fonte: Ladders, Eye-Tracking Study, 2018.

Em poucos segundos, ninguém consegue fazer o trabalho de conectar os pontos da sua trajetória. Se a conexão não estiver clara para você, dificilmente vai estar para quem lê. O mesmo vale para o seu perfil no LinkedIn, para uma conversa de networking e para a primeira resposta de uma entrevista.

Quem não escolhe o que destacar deixa que o outro escolha. E o outro costuma escolher o último cargo.

Sinais de que falta posicionamento

  • A sua apresentação começa pelo cargo atual ou pelo último. E não pelo que você resolve.
  • Você adapta o discurso a cada oportunidade e, no fim, não sabe qual versão é a verdadeira.
  • As pessoas da sua rede não sabem como indicar você. Elas lembram de você, mas não sabem para quê.
  • Você se candidata a vagas muito diferentes entre si, na esperança de que alguma dê certo.
  • Você sente que precisa "provar" a sua experiência, em vez de explicar o valor dela.

Nenhum desses sinais tem a ver com competência. Todos têm a ver com falta de direção.

5 passos para transformar a sua trajetória em diferencial

Liste três resultados de que você se orgulha

Não cargos, resultados. Pense em momentos em que algo mudou por causa do seu trabalho: um processo que passou a funcionar, uma equipe que se organizou, um cliente que ficou, um projeto que saiu do papel. Escreva cada um em uma frase.

Escreva qual problema estava resolvido no final

Para cada resultado, complete a frase: "No final, o problema de ___ estava resolvido". Esse exercício tira o foco do que você fazia e coloca no que mudou. É a linguagem que o mercado entende.

Procure o que se repete

Compare os três problemas. Quase sempre existe um padrão: você organiza o que está caótico, destrava decisões travadas, conecta áreas que não se falam, traduz o técnico para quem decide. Esse padrão é o centro do seu valor. Ele não depende do cargo que você ocupou, e é ele que vai com você para a próxima fase.

Escolha para quem e onde aplicar esse valor

Posicionamento exige escolha. O mesmo padrão pode ser aplicado de formas diferentes: no mesmo campo, em um novo papel; em uma nova área, com as mesmas competências; ou em uma atuação própria, construída sobre a experiência. Escolher não fecha portas para sempre. Apenas define qual delas você vai abrir primeiro.

Escreva a sua frase de posicionamento

Junte tudo em uma frase curta: o problema que você resolve, para quem e com base em quê.

Antes

"Sou administradora, com 15 anos de experiência em empresas de varejo e passagens por finanças, operações e projetos."

Depois

"Ajudo empresas em crescimento a organizar a operação para escalar sem perder o controle, com base em 15 anos liderando projetos no varejo."

Use a mesma frase no título e no resumo do LinkedIn, na apresentação de uma conversa e na resposta a "fale sobre você". A repetição é o que faz as pessoas lembrarem de você pelo motivo certo.

Por onde começar

O posicionamento não nasce do currículo. Nasce de uma decisão sobre o que você quer levar para a próxima fase. Por isso, antes de reescrever qualquer perfil, vale entender em que momento você está: o que mudou, o que continua valendo e qual direção merece ser testada primeiro.

Se você leu este artigo pensando "eu sei fazer muita coisa, mas não sei como explicar", esse é um bom sinal. Significa que o material já existe. Falta organizá-lo.

Jessica Renault

Jessica Renault

Mentora de reposicionamento profissional e criadora do Método REFRAME

Trabalha com mulheres experientes que querem mudar de direção ou voltar ao mercado depois de uma pausa, com estratégia e sem recomeçar do zero. Formação: FGV e Yale School of Management.

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Fontes

  1. Ladders. Eye-Tracking Study. 2018.